
Olhei você saindo de casa. Cada peça que arrumava pra levar, era um pedacinho seu que me tirava.
Calças, meias, sapatos. Um a um seus pertences deixavam a casa vazia e o coração cheio de saudade.
E sabia que de nada adiantava argumentar, de nada adiantava pedir-lhe pra ficar. Sabia que o errado era o que de mais certo você fazia.
Os filhos não deveríam crescer, deveríam sim, ficar bem pequenos, pra que nos emprestassem suas mãozinhas e se deixassem conduzir. Pequenos para que pudéssemos colocá-los em uma banheira e lavá-los de todas as sujeiras adquiridas nas suas mais variadas travessuras.
Filhos deveríam estar conosco sempre, para que os pudéssemos ampará-los nas suas quedas e para colocarmos o termômetro , sempre que colocássemos os lábios em suas testas e as sentíssemos quentes.
Ah! Os nossos filhos, esses seres teimosos e rebeldes! Quando vemos já cresceram e nos convidam para as suas formaturas e nos encontram abraçados as suas garotas, as suas namoradas, até que uma, apenas uma, passa a ser presença constante, nos almoços de domingo, nas festas de fim de ano, dividindo conosco seus abraços e beijos, toda a sua atenção. E por fim sem cerimônia nos dizem: Mamãe vamos nos casar. E nos parece que o mundo desaba aos nossos pés. Casar? Que loucura! Tentamos em vão, afastar essa idéia. Essa moça não serve pra você, não é a mulher ideal pra casar com você. Casamento requer responsabilidades. Nossa como é possível que um bebê, o bebê da mamãe, esteja pensando em casar? Não, não vai dar certo. E nossos filhos, estes nem nos ouvem. Saem agarrados as suas parceiras, pra longe de nós, como se tudo o que falássemos, não merecesse sua atenção.
Então nos sentimos isoladas, desprezadas. Demos tanto amor e agora somos ignoradas.
Nesse momento o coração dói e a lágrima cai. Estou com saudades. Amar a distância provoca saudades. Já não me sinto importante, já não me sinto querida. Oh, dor de amor, não correspondido! Dói o peito, mas o grito não sai, não deve sair.
Vontade que fique e o coração desespera. Que dia haverá o retorno, o pequeno retorno de uma visita? O carro parte, jogo o último beijo, recebo o seu de volta.
Filho te amo, não me abandone, não suporto viver sem você aqui. A vida é nada sem ti.
Cabelos que acaricio, rosto que beijo. Até breve, meu filho! Que Deus me permita vê-lo de novo.
Amo muito, amo demais você!!! Beijos da sua mãe...
(Tania Graniço)Macaé, 27 de fevereiro de 2010.
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